Como a falta de conservação da água afeta diferentes setores da sociedade?

No Dia Mundial da Água, na última segunda-feira (22), a ONU lançou um novo relatório sobre a situação da água no mundo. Fique por dentro dos principais pontos!

Fotografia de gota de água
Foto por Pixabay em Pexels.com

Na última segunda-feira (22) foi comemorado o Dia Mundial da Água. A data foi criada em 1993, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, como forma de promover a conscientização sobre a importância de políticas que adotem meios adequados de conservação, acesso e gerenciamento desse recurso natural.

Nesta semana, em homenagem à data, também foi lançado o relatório “United Nations World Water Development Report (WWDR) 2021”, publicado pela UNESCO em conjunto com a UN-Water, agência especializada da ONU sobre temas relacionados à água. O estudo mostra o status atual desse recurso natural no mundo e os obstáculos, em diversos setores da sociedade, ao acesso e conservação da água.

Com dados atualizados, o relatório de 2021 foi construído em torno de um conceito central — os “múltiplos valores da água” ao redor do mundo. As diversas áreas sociais e econômicas que envolvem o uso do recurso foram divididas em cinco pilares (ou “valores”)

  • fontes de água e sua disponibilidade em ecossistemas
  • infraestrutura para seu armazenamento, consumo e fornecimento, assim como acesso à água potável e uso para higiene e saneamento; 
  • facilitação de atividades socioeconômicas por meio de recursos hídricos — como na agricultura, alimentação, no setor industrial, energético e em empreendimentos;
  • valores socioculturais da água — como elemento importante da história, dos costumes, crenças e religiões de diversas populações.

A partir desses valores, o relatório mostra os principais impactos da falta de gerenciamento e conservação da água ao redor do mundo, propondo a adoção de medidas, por diferentes setores da sociedade, que garantam a preservação e o acesso suficiente, saudável e seguro a esse recurso por toda a população do planeta.

Se você quer entender quais são os impactos da falta de conservação e acesso à água no mundo, o Info Sustentável vai te ajudar a ficar por dentro do assunto. Continue a leitura!

Acesso à água no mundo: qual é a situação atual?

Mais de 2 bilhões de pessoas — o equivalente a quase 30% da população mundial — vivem em regiões com escassez de água, ou seja, nas quais não há acesso suficiente à água potável. É o que mostra o relatórioSDG 6 Synthesis Report 2018 on Water and Sanitation“, da agência UN-Water, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF.

Entre os países mais afetados estão Uganda, Serra Leoa, Etiópia, Laos, Nigéria, Camboja, Mongólia e Nepal; em cada um deles, menos de 30% da população tem acesso regular à água própria para consumo. Veja mais detalhes no gráfico abaixo:

Gráfico em mapa sobre acesso adequado e seguro à água potável no mundo
Gráfico mostra o percentual da população mundial que tem acesso seguro à água potável. Nas áreas em azul escuro, entre 90 e 100% da população tem acesso a essas condições; nas regiões em azul claro, entre 75 e 90%; em amarelo, entre 50 e 75%; em laranja, de 0 a 50%. Áreas em cinza correspondem a dados não disponíveis. | Fonte: UN-Water — https://sdg6data.org. Acesso em 27 de março de 2021.

Qual a relação entre a falta de acesso à água potável e as mudanças climáticas?

Embora a escassez de água em determinadas regiões também esteja relacionada a condições naturais do local, a ação humana é um dos fatores que contribuem para o agravamento da situação. Além do volume significativo consumido nas principais atividades econômicas — sendo somente a agricultura responsável por 69% do consumo de água doce no mundo —, a emissão de gases de efeito estufa também está relacionada às mudanças climáticas e, consequentemente, a alterações nos ecossistemas. Entre esses impactos estão as modificações no volume e disponibilidade de água em diferentes regiões do planeta.

Um dos efeitos das mudanças climáticas é a ocorrência, em maior frequência e intensidade, de eventos extremos — alguns deles diretamente relacionados a recursos hídricos, como enchentes e secas. É o que alerta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organização vinculada à ONU que atua na divulgação de pesquisas sobre o tema. Somente em 2019, quase 55 mil mortes foram causadas por enchentes no mundo, de acordo com o Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres.

Água e saneamento

O acesso à água também tem relação direta com a qualidade no oferecimento de serviços de saneamento básico. Estima-se que 4,5 bilhões de pessoas, ou 55% da população mundial, ainda não dispõem de condições adequadas e seguras de saneamento, segundo dados publicados no relatório de 2018 da UN-Water. Para o registro desses dados, considera-se como parâmetro ideal um sistema residencial com instalações que não sejam divididas com outras moradias, e onde os dejetos sejam dispostos ou tratados com segurança.

Gráfico em mapa sobre acesso adequado e seguro a serviços de saneamento no mundo
Gráfico mostra o percentual da população mundial que tem acesso a serviços seguros de saneamento. Nas áreas em verde escuro, entre 90 e 100% da população tem acesso a essas condições; nas regiões em verde claro, entre 75 e 90%; em amarelo, entre 50 e 75%; em laranja, de 0 a 50%. Áreas em cinza correspondem a dados não disponíveis. | Fonte: UN-Water — https://sdg6data.org. Acesso em 27 de março de 2021.

No Brasil, a falta de saneamento também continua sendo uma realidade para 51% da população. Além disso, 27% dos brasileiros ainda não têm acesso a serviços de coleta nem de tratamento de esgoto, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

O que pode ser feito?

O relatório publicado na última segunda-feira (22) pela UNESCO e pela UN-Water destaca que, para a superação dos desafios atuais em relação à água e ao saneamento, é necessária uma abordagem holística do problema, ou seja, que integre os diversos setores da sociedade.

Assim, as medidas de gerenciamento e conservação desse recurso natural devem envolver desde a esfera governamental até os cientistas e a sociedade civil, devendo-se observar, também, a inclusão de mulheres, jovens e da população indígena no processo.

“Todos os benefícios devem ser levados em conta, incluindo os econômicos, sociais e ambientais”, ressaltou a coordenadora e diretora do Programa Mundial de Avaliação da Água (World Water Assessment Programme) da UNESCO, Michela Miletto, durante o evento de lançamento do “United Nations World Water Development Report (WWDR) 2021”.

O relatório também cita a importância de pesquisas e acesso à informação para o desenvolvimento de novas abordagens e soluções para o problema. “Dados sobre a água são, realmente, centrais para compreender e valorizar esse recurso”, observa Milletto.

Para saber mais sobre os principais desafios da atualidade em relação ao acesso e conservação da água, acesse o relatório “United Nations World Water Development Report (WWDR) 2021” na íntegra. E, se você curtiu este post, compartilhe nas suas redes sociais para que mais pessoas fiquem por dentro do assunto!


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